"aiienn que sacoooo, agora toda vez que me perguntam se eu vou ter filhos e digo que não as pessoas me olham espantadas, sabe? como se fosse obrigação minha parir!!!!"
amiguinha, olha aqui: não.
sabe o que tu faz com esse sentimento? leva ele pra tua casa, pra tua vida, pros teus pensamentos e em seguidinha tudo se evapora, porque tu não quer ter filhos, então é uma decisão tua e no fim tu sabe que é a certa. e tu SEMPRE pode mudar de opinião, porque a ciência, a tecnologia, a adoção, etc.
sabe o que uma mãe faz com o sentimento quando ouve "teve filho porque quis" / "era só ter abortado" / "na hora tava bom"?
ela recolhe toda a porra do sentimento dela dentro de uma caixinha chamada cérebro enquanto manda um pro banho e faz a comida, pra depois a filha derrubar suco no tapete e ela olha e limpa e continua se sentindo culpada pensando que a escolha que fez em ser mãe foi a única possível e que esse sentimento não vai escapar, que é uma responsabilidade pra vida inteirinha e sempre vai faltar alguma coisa pra ser mãe demais? porque NUNCA SE É MÃE DEMAIS.
sou narcisa invertida
me olho no espelho e sei que não é lá que estou.
28 junho 2019
28 abril 2017
da sobriedade.
imagina que louco
as horas passando e eu me deitando e tu ainda aqui.
imagina que louco
meu corpo buscando teu corpo espalhando por toda a cama sem hora de ir.
imagina que louco
sentir o teu cheiro depois de janeiro em algum cobertor.
imagina que louco
os dois se esquentando meu rosto buscando encontrar a tua mão.
imagina que louco
se nada passasse o tempo ficasse onde
tudo era louco.
25 abril 2017
se a fome acaba é porque a comida é ruim.
quantos dias cabem em um? de uma risada despretensiosa a uma frase executada no momento certo, quem regula a chave?
tudo é exatamente igual há quase vinte anos e mesmo depois de tantos dias - que cabem em todos, por sinal - a resposta é exatamente a falta dela.
nunca sacia. quando cansa, come tudo. quando come tudo, cada víscera, cada pedaço de pele, cada sujeira, pega as coisas e sai fora.
pernas muito pesadas e ainda assim tão rápidas quando precisam sair correndo.
e corre, tu corre demais, tu corre o tempo todo, porque se a fome acaba é porque a comida é ruim.
se a fome acaba é porque a comida é ruim.
o copo fica cheio, os dedos agarraram tudo, sobrou nada. sobrou é um pedaço do que um dia foi qualquer pessoa.
e aí qualquer não serve. qualquer é pouco, qualquer é burro, qualquer é lugar comum e faz piadas que a gente ri por educação.
como não se tem educação, se tem é gana, se vomita, se cospe toda, se suja e se destrói, mas não aproveita o pedaço que ficou ali.
um pedaço pode ser menor do que qualquer substância necessária ao excesso de vida que sai de ti.
mas vida a gente não quer morder. vida a gente quer abrir e deixar entrar.
20 outubro 2016
nutshell
escuta. escuta um pouquinho que eu preciso falar. eu preciso falar como não falo em anos. faz tempo que eu não te vejo, senta aqui do meu lado. isso, deixa apagada. luz apagada e incenso aceso.
we chase misprinted lies
we face the path of time
então aqui estamos, novamente no escuro, novamente sozinhos, novamente confortáveis e conscientes do nosso poder. juntos a gente sabe que pode conquistar qualquer coisa que vier pela frente. só que a gente prefere ficar aqui, escondido. tem sido assim por muito tempo, eu sei. foi a maneira como conseguimos sobreviver até hoje. eu sobrevivo disso. da visão nublada.
and yet I fight
yet I fight
this battle all alone
eu escolhi ser sozinha porque ser sozinha é a única coisa que consigo lidar. que venha o choro do que o abraço. falar pra si que ouvir o outro. a culpa do que a acusação. a luta não tem fim porque não existe luta. derrota é bom pra envergonhar, pra fazer calar, pra fazer gritar. pra lembrar que não existe outra maneira.
no one to cry to
no place to call home
nós temos um mundo inteiro pra nós, meu bem. o mundo que a gente não imaginou e caiu bem aqui nos nossos pés. a gente chuta o planeta. a gente desconta a raiva nas estrelas e espera que elas enfiem o brilho no cu. isso é deboche, só pode ser deboche. e também, como não seria? uma vida de defesas para uma vida de trapaças autoaplicadas.
my gift of self is raped
my privacy is raked
e é por ser assim, aberta e fechada, uma casca com a semente roubada há muito tempo, que a entrada acabou cedendo. ela cede porque cansa. ela cede porque está velha. ela cede quando é quebrada e ela é sempre quebrada porque só sabe fazer repetir. só sabe encerrar o que não devia ter começado. e mesmo assim, ela sempre recomeça.
and yet I find
yet I find
repeating in my head
if I can't be my own
I'd feel better dead
vem, vamos encerrar a noite por hoje. o olho está cansado e o corpo dolorido. a raiva está guardada e pronta para a próxima. a frustração reside na gente desde muito tempo, meu bem. a gente conhece esse presentinho divino. a gente manja que tem noites intermináveis nos aguardando. em diferentes terras, diferentes cidades, diferentes protagonistas, a luz vai seguir apagada. e eu vou estar aqui, contigo.
we chase misprinted lies
we face the path of time
então aqui estamos, novamente no escuro, novamente sozinhos, novamente confortáveis e conscientes do nosso poder. juntos a gente sabe que pode conquistar qualquer coisa que vier pela frente. só que a gente prefere ficar aqui, escondido. tem sido assim por muito tempo, eu sei. foi a maneira como conseguimos sobreviver até hoje. eu sobrevivo disso. da visão nublada.
and yet I fight
yet I fight
this battle all alone
eu escolhi ser sozinha porque ser sozinha é a única coisa que consigo lidar. que venha o choro do que o abraço. falar pra si que ouvir o outro. a culpa do que a acusação. a luta não tem fim porque não existe luta. derrota é bom pra envergonhar, pra fazer calar, pra fazer gritar. pra lembrar que não existe outra maneira.
no one to cry to
no place to call home
nós temos um mundo inteiro pra nós, meu bem. o mundo que a gente não imaginou e caiu bem aqui nos nossos pés. a gente chuta o planeta. a gente desconta a raiva nas estrelas e espera que elas enfiem o brilho no cu. isso é deboche, só pode ser deboche. e também, como não seria? uma vida de defesas para uma vida de trapaças autoaplicadas.
my gift of self is raped
my privacy is raked
e é por ser assim, aberta e fechada, uma casca com a semente roubada há muito tempo, que a entrada acabou cedendo. ela cede porque cansa. ela cede porque está velha. ela cede quando é quebrada e ela é sempre quebrada porque só sabe fazer repetir. só sabe encerrar o que não devia ter começado. e mesmo assim, ela sempre recomeça.
and yet I find
yet I find
repeating in my head
if I can't be my own
I'd feel better dead
vem, vamos encerrar a noite por hoje. o olho está cansado e o corpo dolorido. a raiva está guardada e pronta para a próxima. a frustração reside na gente desde muito tempo, meu bem. a gente conhece esse presentinho divino. a gente manja que tem noites intermináveis nos aguardando. em diferentes terras, diferentes cidades, diferentes protagonistas, a luz vai seguir apagada. e eu vou estar aqui, contigo.
06 novembro 2014
o troféu e a champagne talvez não seja eu quem ganhe
um dia entendi que meu cabelo não era liso que eu não era magra que meu nariz era largo que meus pelos no corpo todo eram demais que as cicatrizes de espinha ficariam na cara que minhas tetas são pequenas e que algumas estrias haviam se apegado à minha pele.
só que aí no dia que eu entendi isso eu já tinha mais de trinta anos e mais de mil arrependimentos do tempo que eu perdi buscando ser qualquer coisa que não a minha essência imperfeita e moldada pelo o que eu aceito ser.
só que aí no dia que eu entendi isso eu já tinha mais de trinta anos e mais de mil arrependimentos do tempo que eu perdi buscando ser qualquer coisa que não a minha essência imperfeita e moldada pelo o que eu aceito ser.
27 fevereiro 2014
halls cigarro e perfume do boticario.
o cheiro com os cheiros que me dão a sensação horrível de que o tempo
parou. esse tempo maldito e cheio de curvas e chuvas e outros cheiros.
queria dizer que eu mudei mas não queria dizer pra ti.
queria dizer que superei mas não queria dizer pra ti.
queria dizer que me salvei. mas queria dizer pra mim.
queria dizer que eu mudei mas não queria dizer pra ti.
queria dizer que superei mas não queria dizer pra ti.
queria dizer que me salvei. mas queria dizer pra mim.
22 fevereiro 2013
som da pele
vazio e bem silencioso, todinho para mim. era o que alves dizia enquanto acariciava os bancos do passat estacionado ainda em frente ao feirão. foda-se que meu sofá está ocupado que preciso caminhar nas pontas dos pés no corredor da minha casa e que preciso fingir sorrisos um dia inteiro. eu paguei pelo silencio e esse silencio está representado aqui ó, no poder do meu banco enquanto seguro esse cambio de marcha imaginando que meu pau é tão grosso quanto ele. aqui dentro eu sou pauzudo sou sozinho sou do tamanho da vida que eu imaginei. alves não queria ligar o carro e também estava cagando se ele funcionava. era dele, cacete. ele tinha um passat e o passat era o território limitado de um conforto subjetivo porém suficiente. não existem cobranças de consertar os choques no chuveiro e também não precisa se preocupar em lamber sua mulher oleosa. nem música. que saco ouvir música o tempo todo, quero ouvir o som da minha pele abrindo e fechando cada poro. a barba coçou, a virilha cheirou, o celular tocou. não esquece de comprar leite, dizia a mensagem. chupa aqui meu leite, disse alves pra si mesmo enquanto quebrava o vidro da janela com o cotovelo escurecido e áspero. nem ali dentro.
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