vazio e bem silencioso, todinho para mim. era o que alves dizia enquanto acariciava os bancos do passat estacionado ainda em frente ao feirão. foda-se que meu sofá está ocupado que preciso caminhar nas pontas dos pés no corredor da minha casa e que preciso fingir sorrisos um dia inteiro. eu paguei pelo silencio e esse silencio está representado aqui ó, no poder do meu banco enquanto seguro esse cambio de marcha imaginando que meu pau é tão grosso quanto ele. aqui dentro eu sou pauzudo sou sozinho sou do tamanho da vida que eu imaginei. alves não queria ligar o carro e também estava cagando se ele funcionava. era dele, cacete. ele tinha um passat e o passat era o território limitado de um conforto subjetivo porém suficiente. não existem cobranças de consertar os choques no chuveiro e também não precisa se preocupar em lamber sua mulher oleosa. nem música. que saco ouvir música o tempo todo, quero ouvir o som da minha pele abrindo e fechando cada poro. a barba coçou, a virilha cheirou, o celular tocou. não esquece de comprar leite, dizia a mensagem. chupa aqui meu leite, disse alves pra si mesmo enquanto quebrava o vidro da janela com o cotovelo escurecido e áspero. nem ali dentro.