28 abril 2017

da sobriedade.




imagina que louco
as horas passando e eu me deitando e tu ainda aqui.

imagina que louco
meu corpo buscando teu corpo espalhando por toda a cama sem hora de ir.

imagina que louco
sentir o teu cheiro depois de janeiro em algum cobertor.

imagina que louco
os dois se esquentando meu rosto buscando encontrar a tua mão.

imagina que louco
se nada passasse o tempo ficasse onde
tudo era louco.

25 abril 2017

se a fome acaba é porque a comida é ruim.


quantos dias cabem em um? de uma risada despretensiosa a uma frase executada no momento certo, quem regula a chave?

tudo é exatamente igual há quase vinte anos e mesmo depois de tantos dias - que cabem em todos, por sinal - a resposta é exatamente a falta dela.

nunca sacia. quando cansa, come tudo. quando come tudo, cada víscera, cada pedaço de pele, cada sujeira, pega as coisas e sai fora.

pernas muito pesadas e ainda assim tão rápidas quando precisam sair correndo.

e corre, tu corre demais, tu corre o tempo todo, porque se a fome acaba é porque a comida é ruim.

se a fome acaba é porque a comida é ruim.

o copo fica cheio, os dedos agarraram tudo, sobrou nada. sobrou é um pedaço do que um dia foi qualquer pessoa.

e aí qualquer não serve. qualquer é pouco, qualquer é burro, qualquer é lugar comum e faz piadas que a gente ri por educação.

como não se tem educação, se tem é gana, se vomita, se cospe toda, se suja e se destrói, mas não aproveita o pedaço que ficou ali.

um pedaço pode ser menor do que qualquer substância necessária ao excesso de vida que sai de ti.

mas vida a gente não quer morder. vida a gente quer abrir e deixar entrar.