sou agora uma. e tenho ao meu lado a vida sóbria da mulher sozinha. uma linha só e limite de caracteres. é quente pela temperatura e gelada pelo tempo. não tem escapatória e talvez nunca houve solução. existe a paz da criança que dorme em mim ao meu lado. essa dá medo e dá alento. que a criança acorde em um mundo melhor, para mim, para ela. que não sofra pensando demais e tentando resolver com ideias o que o destino não ajudou.
e de repente é 1998 de novo e estou de volta a toda raiva que senti pelos cegos do castelo que nunca me despedi e estou rodeada e sozinha e estou mais velha e infantil e estou mais gorda e mais bonita e estou mãe e cada vez mais filha.
o mundo é então uma casa com uma enorme parede repleta de quadros de jardins coloridos e cafonas, para disfarçar a frieza do piso e a feiura dos móveis. são nessas imagens que a realidade é distribuída em fragmentos de esperança. que as flores tomem vida e sejam ofertadas.