na verdade não importa muito a altura, desde que o tombo seja de pé. aí dá aquele choque nas bases, sabe? aquele choque que mostra que tuas articulações estão ali, latejando. que tua vida está ali, nada solta.
então vamos, cair como gatos, patas cansadas, coração endurecido.
e por não saber mais no que se apoiar é que parece burrice continuar levantando, porque a base é sólida mas o suporte é tão fraco. e o suporte é tão fraco e o motivo é tão fraco que o caminho é tão longo e fugir é o pior desvio. caminhamos, vamos caminhar. eu do teu lado e assim as pegadas são duplicadas e as dores multiplicadas e as soluções equacionadas.
quanta bobagem, caminhar ao lado não resolve. que aí caminhos não se cruzam, ficam paralelos e dois caminham sem se encontrar. caminham sem resolver.
decidimos carregar um ao outro, revezando dores. o peso não importa, todos temos muito peso, todos carregamos muitas vidas e por carregarmos essas vidas é que temos mais força para levar a parte boa. aí dá aquele choque nas bases, sabe?