24 novembro 2009

hey girl what you gonna do.

ficou tanto tempo presa que sobrou observar umas larvas na parede. quer dizer, pareciam larvas. entrelaçadas por uma teia, meio amarelas.

ela achou meio nojento mas não conseguia parar de olhar. ok, então é a isso que estou reduzida. a larvas na parede. branco não é mais branco, cheiro de perfume com fumaça.

procurando toda subjetividade em passados, se deu conta que talvez seria melhor esquecer tudo. e tirar uma foto de corpo. seminua. no espelho. nada publicável, nada apaixonável, nada digno de efeito. somente ela.

se amou infinitas vezes naqueles dias. dias de larvas, dias amarelos, dias tremidos foram aqueles. onde o suspiro solitário importava muito mais que qualquer palavra de alfabeto grego. a mulher podia sonhar, ah podia. podia ver por entre raios e galhos de árvores penduradas algumas cabeças, alguns sinais. tudo aquilo pertencia a ela.

e com dedos cansados, sorriso sereno e olhar distante, a mulher viu que pouco importava a putrefação dos sentimentos. se eles queriam ser pedra, sabia ser pedra também. com larvas em volta.