31 maio 2010

27 maio 2010

noon.

Gonna write a song so she can see
Give her all the love she gives to me
Talk of better days that have yet to come
Never felt this love from anyone

que sejam todas as músicas, todas aquelas dezessete que um dia eu fingi ter feito para ela. nenhuma seria capaz de explicar o que sinto quando aquele sorriso meio torto surge.

exquisite é uma boa palavra. em português parece com o que ela acha que é. mas em sua língua prima, mostra o que enxergo.

não são as pernas mais torneadas do mundo, mas são grossas. e poderiam ser minhas.

não é a boca mais carnuda do mundo, mas tem um belo desenho. e poderia ser minha.

não é o olhar mais linear do mundo, é desviado e me basta. e poderia ser meu.

mas como o pulsar da minha vida é simplesmente a motivação de sonhos idos, eu digo todos os dias que isso me é suficiente. porque eu tenho deveres. eu tenho direitos. eu executo sempre, faço tudo direitinho, e onde está seu deus agora?

sou imprudente para quase tudo, ou pelo menos finjo 80% do tempo e as pessoas acreditam. mas quando se trata dela, a única imprudência que tenho é com as consequências. naquelas parcas horas elas deixam de existir, e eu mostro que sou todo aquele homem que gostaria de ser. mas ela desmascara. escancara que ainda sou metade.

me recolho ao meu mundo com o rabo entre as pernas, mas com uma certeza: ela não é qualquer uma.

16 maio 2010

foram sete anos, mas deixa eu te contar uma coisa: não quero mais.

oi meu amor, escrevo essa cartinha com todo meu apego a tudo que é vivo e respira em mim para dizer que um super solvente surgiu em meu coração e consegui desgrudar aquilo que não aguento mais. tu estás incluído.

por mais que a gente combine que a gente não combine que a gente pense que combine.

o maior projeto meu amor, o maior projeto que algum egocêntrico pode desejar é manter um boneco vivo com sobreforça o máximo tempo necessário. esse boneco deve ser impecável e responder sempre que solicitado, obviamente com as palavras que queremos ouvir. aí aquela coisa gregor samsa, certa manhã acordei de sonhos intranqüilos, com trema.

acabou a pilha, o boneco era de nada.

acabou minha pilha, meu amor. e já foram tantas despedidas, já comprei carregadores, baterias, alcalinas, e nada resolveu. nada nunca se resolveu porque brincar sozinho é uma merda. o boneco não vive sem o dono e o dono não vive sem o boneco.

então vamos procurar outros bonecos, aliás, vamos brincar com os que já temos, aqueles que não precisam de energia pra funcionar, mas infinitamente, estão ali nas horas que precisamos.

tu já tens o teu. eu vou procurar no meu baú se encontro algum meio velho, meio gasto. mas ao menos sei que poderei dormir abraçado nele quando tiver medo da chuva. ele vai estar aqui.

um beijo.

14 maio 2010

só isso.



you can’t sit up
you fell too fast
you come at the right time
you come too fast
you bloom in spring
you move the sky
you’ve come in singing
you come in right

you were like a cloud

yes you are a flower
then you were a lime
now our love is sour
don’t give up (I owe you…)
no don’t give up
no don’t give up (I owe you…)
don’t give up

you were like a cloud

yes you were a flower
then you were a lime
now our love is sour
you were like a cloud
you were just like a flower
then you were a lime
now our love is sour

here I feel I wish I could just see it
the love the hate the things that separate
forcing conscious to conscious every small attack
it takes a small man to notice but not to act up
confrontation complication needs a foundation
I'm calm baby, I'm calm

you were like a cloud (You know, I know)

yes you are a flower (Love is all you need)
then you were a lime (You know, I know)
now our love is so sour (Love is all we need)
so sour
so sour
so sour

don’t give up

no don’t give up
no don’t give up
no don’t give up
start again buttercup (I owe you)
start again buttercup (I owe you)
start again buttercup (I owe you)
start again, start again dear (I owe you)

When I saw what we had I gave it to everywhere, dear.

When you lost the nurses I found you a doctor, in me, in me...

11 maio 2010

no banco dos fundos.

era no movimento por trás daquele vidro que a vida sorria.

estudantes na saída da aula, velhos amigos se encontrando, cachorro faceiro sem perceber a coleira que o prende.

sorria a vida, e sorria largamente. lembrando todas aquelas gargalhadas, toda aquela juventude.

tinha 64 anos e a menor ideia de como passou os últimos 40. era ali, acomodada olhando pelo vidro que sentia o peso das pernas.

os pés inchados, que tanto dançaram ao ritmo de docilidades.

as mãos murchas, que tanto seguraram outras, mil outras, todas as outras.

compraria toda a beleza daqui há três minutos.