11 maio 2010

no banco dos fundos.

era no movimento por trás daquele vidro que a vida sorria.

estudantes na saída da aula, velhos amigos se encontrando, cachorro faceiro sem perceber a coleira que o prende.

sorria a vida, e sorria largamente. lembrando todas aquelas gargalhadas, toda aquela juventude.

tinha 64 anos e a menor ideia de como passou os últimos 40. era ali, acomodada olhando pelo vidro que sentia o peso das pernas.

os pés inchados, que tanto dançaram ao ritmo de docilidades.

as mãos murchas, que tanto seguraram outras, mil outras, todas as outras.

compraria toda a beleza daqui há três minutos.

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