25 fevereiro 2009

êraêra

depois de dez anos. depois de dez anos aprendi a confrontar. doeu e dói ainda. é muito caro. ela é muito cara. sempre foi minha confidente, desde o primeiro all-star sujo, os cigarros que fumávamos no recreio como se fôssemos grande coisa.

nos afastamos e foi por causa de homem. nada de ciúmes, nem de brigas. nossos homens não permitiam a intimidade e a cumplicidade de um só olhar. eles foram, como sempre vão. nós ficamos. e passamos por separações, mortes, mudanças traumáticas. mas sempre ficamos juntas. por dez anos.

nunca discuti com ela por medo. temos os gênios fortes, parecidos. não admitimos sermos enganadas, e a verdade é que não gostamos de contrariedades também. somos árbitras de nosso campo, e sempre jogamos no mesmo time. até agora.

sempre fui irmã em tudo, sempre respeitei, e raramente discordei. o medo novamente. me conheço, logo a conheço. e é por isso tudo, que pela primeira vez, resolvi enfrentá-la, por motivos que não compreendo. sempre fui simpática com todos, talvez essa seja nossa diferença. eu consigo fingir, consigo mesmo. não gosto, mas é assim que a vida funciona, e é assim que conheço pessoas novas que posso vir a ter carinho depois. aliás, não é fakeness. é amadurecimento.

e hoje, a mágoa e a incompreensão são menores do que a incerteza de quando vou poder conversar com ela novamente. te amo, mas preciso que entenda meu jeito uma vez só. e que não faço por mal. faço porque preciso me impor com o que sinto. não é errado nem ruim. é diferente. precisamos saudar as mudanças.

20 fevereiro 2009

duas semanas.

tinha um filme que passou de madrugada no doze uma vez que eu nunca esqueci. era um gordão e tal que tinha uma mina chupando o pau dele no carro enquanto ele dirigia. aí, o gordo todo empolgado não olhou pra frente e atropelou uma cigana. ela morre eu acho, e tipo, aparece o pai dela, que amaldiçoa o fat'ass e diz: VAIS DEFINHAR. DUAS SEMANAS.

aí em duas semanas o gordão começou a emagrecer afu. tipo, MUITO.


* UPDATE:

tá, olha o absurdo. jogo no google: "cigana gordo vais definhar duas semanas" e não é que acho? e não é que é baseado num livro do STEPHEN KING

Thinner is a 1984 novel by Stephen King, published under his pseudonym, Richard Bachman. It would be the last novel which King released under the Richard Bachman pseudonym until the release of The Regulators in 1996 (the initial hardcover release of Thinner included a fake jacket photo of "Bachman"). The novel was adapted for the screenplay of a 1996 film of the same title.

(Y) pra mim.


bom, enfim. eu só queria uma analogia pra dizer que minhas duas semanas de definhamento cerebral acabaram. e nem precisei atropelar cigana nenhuma. se bem que. ah, deixa.

19 fevereiro 2009

faca sem queijo.

nunca se tem tudo completo. "tudo completo" é redundante btw? enfim, tenho a sorte e a oportunidade de conversar sempre com pessoas inteligentes e esclarecidas, coisa que não sou muito. aliás, meu expertise é meter os pés pelas mãos sempre e torcer que dê certo.

nem sempre dá.

me acostumei a esperar que os outros compreendam que ser como eu sou é bom. mas nunca acontece. aliás, raramente. sempre disse: tem que me amar MUITO pra aceitar meu jeito. e fazendo isso, já declarei: nunca vai acontecer. e é exatamente assim que vai. porque as pessoas não têm paciência, e não devem ter. eu não teria.

um conglomerado de tudo que é agradável e imbecil.tenta viver com isso. tenta CONviver com isso. não dá, entende? eu tento todos os dias e não consigo. nem eu me suporto.

quer saber?

v-e-l-h-a d-e-m-a-i-s.



11 fevereiro 2009

do tempo que eu era um bifão.

é bem interessante, que, com o passar do tempo algumas coisas perdem tanto sentido e outras são valorizadas de forma abismal.

parece que, de algum tempo pra cá, todo sofrimento, todo dramaqueenismo passou. porra, tudo é TÃO SIMPLES, e o exercício do espelho mostra isso perfeitamente.

e assim, atitudes desorganizadas, como simplesmente retomar contato com alguém muito in the past são satisfatórias e engraçadas. só não mais engraçadas quanto ISSO (é de 2001, please don't shoot):

*****


"Se eu podia muito bem não ser quem eu era, ou ser o que sou e estar sozinha, ou seguir me enganando, não deveria gostar dele.


Mas eu descobri ele.

E descobri de uma forma aleatoriamente estúpida e informal, usual e imbecil, traidora e fielmente apaixonada.

E hoje de nada posso reclamar, a não ser a distância que me separa dos olhos dele. E seria mais ou menos como li uma vez; o jeito é "deixar a saudade dormir e não acordar".

Agora sei que existe uma pessoa que faz cocô lendo rótulos como eu, e que tem vergonha da tv e muda de canal. E não é pelas afinidades que eu amo. Eu amo por tudo."


****

aiai, só uma adolescência junkie e um namoradinho engraçado pra diagnosticar a leitura banheirística similar como AMOR.

:)

03 fevereiro 2009

nunca quis tanto.

eu quero uma casa no campo
onde eu possa compor muitos rocks rurais
e tenha somente a certeza
dos amigos do peito e nada mais

eu quero uma casa no campo
onde eu possa ficar no tamanho da paz
e tenha somente a certeza
dos limites do corpo e nada mais

eu quero carneiros e cabras pastando solenes
no meu jardim
eu quero o silêncio das línguas cansadas
eu quero a esperança de óculos
meu filho de cuca legal
eu quero plantar e colher com a mão
a pimenta e o sal

eu quero uma casa no campo
do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
onde eu possa plantar meus amigos
meus discos e livros
e nada mais

(não) deixa o verão pra mais tarde.

lembro bem, e MUITO bem, quando ainda era criança bem novinha, uns cinco seis anos. era uma imundície só. não era a menina-toda-de-rosa delicada, e aí fazia as coisas mais escrotas possíveis.

uma delas, mesmo que nojenta, me sensibiliza um pouco. era verão, e tínhamos uma casa em imbé, onde veraneávamos religiosamente. eu tinha um quarto só meu, e tinha um beliche nele. eu gostava de beliches, ainda gosto. no mesmo quarto, além da porta de entrada, havia uma segunda, que quando aberta, mostrava um matinho. era um matinho fechado, acho que era pra ser uma suíte aquilo e acabaram desistindo. eu adorava brincar ali com baldes e peneiras.

também era naquele quarto, que depois da enésima vez de me mandarem dormir, eu finalmente deitava. mas antes, tirava a roupa, a calcinha, e colocava um "sunkini" por baixo (nunca soube o que é um sunkini) do pijama.

assim, quando acordasse, não precisaria tirar a roupa e colocar coisas para ir à praia. estaria pronta.

então, botava a porcaria do sunkini - floriado, com motivos laranjas e vermelhos - por baixo do pijama do mickey. tudo isso, para chegar mais rápido ao encontro da areia.

é meio nojento. mas já demonstrava meu deslize para a ansiedade, para o imediatismo.

o fato é que nunca deixei o verão ou qualquer coisa para mais tarde. é assim desde sempre.