"Nossa, mas é assim mesmo?", "Juro que não sabia!" ou até mesmo o típico "Ah, pára!" fazem parte das frases profanadas por quem assiste algum documentário de Michael Moore. Sicko - SOS Saúde (Sicko, 2007), é mais um destes casos em que a "realidade" é relatada com assombrosa atuação artística do diretor estadunidense gordinho e polêmico.
Relatando o sistema de saúde aplicado em seu País, Michael Moore faz teatro em frente às câmeras para as cobranças e planos que fazem parte dos hospitais e centros clínicos dos Estados Unidos. Excelente ator e eficaz diretor, Moore mostra como seus conterrâneos morrem por negligência e descaso das multimilionárias companhias e convênios responsáveis pela saúde de forma sempre tendenciosa, a exemplo de seus outros filmes.
Não que não seja assustador: é. Faz o nosso velho SUS parecer um mundo encantado perto do que os estadunidenses enfrentam. Para provar isso, ele vai na ferida visitando antigos inimigos e alvos de constantes deboches: França, Canadá, e o mais polêmico, Cuba. Moore desafia o governo norte-americano e leva voluntários do 11 de setembro para nada mais nada menos que a conhecida eternamente como Ilha de Fidel (mesmo que não seja mais), onde os norte-americanos receberam por duas semanas os cuidados que não conseguiram gratuitamente no sistema dos EUA. Os voluntários desenvolveram problemas respiratórios e não encontravam tratamento em casa. Solução: Moore cruzou o Estreito da Flórida para provar que a saúde socialista funciona melhor que a capitalista imposta por Bush.
Rabo-preso do Governo com a indústria farmacêutica, com planos de saúde e assistência médica são amplamente abordados e de forma histórica, o que faz as exclamações dos espectadores desavisados serem ainda mais representativas. A moral é que Moore defende a gratuidade de tratamentos de saúde. Mas mostra isso com muito drama, estilo reality show, filmando ângulos favoráveis à tragédias, com direito a caras e bocas do próprio.
O expertise de Michael Moore é transformar o que está nas ruas, no movimento, na sociedade, em registro audiovisual. É tudo óbvio, mas quem conhece? Quem conta? Sobra para ele, que também mostra que sabe pesquisar, dando rosto e forma às estatísticas. Mas poderia ser um pouco mais de reality, um pouco menos de show.
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