12 abril 2009

da poltrona.

é um paradoxo o que locais fazem conosco. lugares são imutáveis. e com eles vêm o cheiro, o gosto, as lembranças sonoras e visíveis.

infelizmente o tato não esta incluído no pacote. mas posso quase sentir tua pele. as costas, cheias de pequenos sinais que o tempo foi encarregando de aumentar. tudo tão liso, quase sem pêlos.

tuas pernas, meio finas, lutando para sustentar o corpo, que apesar de não ser volumoso, carregava tanta coisa... tuas mãos, pequenas, que me alegravam tanto encontrando as minhas.

teus pés, horríveis, pequenos, com unhas amarelas. até deles sinto saudades.

sinto mesmo é saudades do abraço. do beijo sentido. de ficar no teu colo e ser esmagada pela tua força. um amor que nunca acaba. e no silêncio desta noite, pergunto: porque não ressuscitas? é egoísta. mas afinal, é páscoa.

te queria escondido no meu ninho.

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