02 setembro 2009

macho alfa.

um dia desses me encontrei com ela. aquela cara de sempre, aqueles olhos cansados, meio tortos. o corpo tinha melhorado um pouco, mas o estilo já era indefinido. ela tinha tantos planos, sempre gostava de falar neles, de um jeito infantil e enjoado. aliás, gostava de falar muito, sempre. era difícil competir com ela, porque cansava. ela cansava, e o que antigamente era suportável, eu agora não agüentava mais.

o cheiro do cigarro agora era misturado com o perfume da mãe. sei lá o que ela pensa agora, também não me interessa. desde que meu copo sempre esteja metade cheio. na verdade, acho que ela nunca me entendeu. ela era nova e bonitinha, só. agora é quase deprimente. ela não mudou. eu não mudei. quer dizer, eu piorei um pouco. meus cabelos mudaram, estão revoltados. também trago um pouco da idade no olhar. mas fora isso, continuo o mesmo babaca de sempre. e ela também.

foi quando a conheci, há quase dez anos atrás, que a vida continuou igualzinha. era noite, tínhamos cervejas, música, e amigos em comum. é engraçado, eu gosto de implicar com ela. Isso nunca vai ser diferente, acho. é que ela se irrita muito facilmente. gosto de contar do que faço, das minhas histórias imaginárias onde eu sempre sou um cara muito melhor do que pareço. humilho nesse quesito. e ela finge que ouve, quer sexo, eu vejo. e o desespero me afasta.

ela não é tão legal quanto pensa. eu não sou metade tão legal quanto eu penso. é calor, eu sou bagaceiro, mas nunca vulgar. ela é o contrario. acha que sensualiza quando quer. dá pena até. pena. é bem isso que sinto às vezes. ou gosto que ela pense que sinto. que aí consigo me afastar sem causar problemas para ela. ou para mim. para mim.

Um comentário:

vênus disse...

eu sei quem é.