06 março 2010

pobre rosinha de chica.

e quando eu ando nesses bares, nessas noites, nessas mesas, como te vejo, meu amor.

naqueles cabelos, naqueles sorrisos, naqueles líquidos, ali tu estás. parece que sempre comigo.

imagino tuas mãos grandes abraçando minha cintura levemente por trás, com a respiração na minha nuca e a ternura entremeada. aquele teu nervosismo tão natural, e aquela minha vontade de agradar e agredir.

agradar.
agredir.

duas linhas tão claras como aquelas que formaste em banheiros, espelhos, cantos sujos. duas performances do meu show de palco cheio e platéia vazia. duas estradas que levam a minha transparência tão exata. duas vezes. todas as vezes.

fingindo gostar das conversas, contemplada pelos elogios etéreos, caminhando por ruas que já passamos juntos, a noite parece ter fim quando percebo que eu estou ali, mas tu estás em todos os lugares. presença que ecoa dentro de mim muito mais do que gostaria, muito menos do que o necessário para concretizar uma expressão vulgar de amor.

quem sabe um barco. conseguiu construir um banco certa vez. então trocamos uma letra e temos um meio de transporte só nosso, que achas? um barco para navegar as tristezas, sublimar as saudades, abandonar este porto tão maldito.

para ancorar minha água na tua.

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