30 junho 2010

serhumana

não sei muito bem quando foi, mas acho que faz mais de ano. eu desisti sem ao menos saber que havia desistido. porque é difícil. porque dói. mesmo sabendo de tudo isso, eu repito: desisti sem saber. veja bem, não é algo que me machuque, ou que me faça falta. a gente só sente falta do que conhece. eu não conheço e não acredito. talvez tenha sido por ouvir tantas vezes, talvez porque da última vez que ouvi foi de uma loucura materializada na minha cama. na nossa cama. pode ser ainda porque quando me dei conta do que queria resgatar, aquilo há muito não existia. não é exagero. eu não acredito. eu desisti. e é algo que não me faz ser menos feliz ou ser menos completa. é a ausência disso. dele. daquilo. eu queria tanto saber explicar, saber entender, saber me dizer: não esquenta. mas isso faz com que eu seja classificada como um robô, uma máquina. se me preocupa? muito. mas é como disse, não tem dor, não tem confusão, não tem thrill. não tem thrill. nada parecido com o que sinto aos que estão ao meu redor; a esses dou minha vida. é aquela relação básica mesmo, que de tão básica me parece impertinente. eu perdi o amor de vista. eu desisti do amor. eu não acredito no amor. acho que é a coisa mais sincera que consigo dizer em três anos. eu não acredito no amor. acho que posso viver sem ele, vivo até agora, e veja como estou de pé e saudável. não é descrença que alguém possa me amar, isso é idiotice. acho que jamais amarei reciprocamente. aliás, acho que jamais amarei. capacidade desse sentimento me foge. não pertence e não cabe aqui. amar não me faz falta porque simplesmente não lembro como é. não sou desacreditada solteirona recalcada infeliz. tô é muito bem e acho que ficarei bem pra sempre. sem isso aí que as pessoas dizem que tem. não ter amor me faz ter liberdade para ter qualquer outra coisa. ser qualquer outra coisa. com sorte, inclusive ser humana.

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