06 outubro 2010

ainda dilly

esses dias eu tava na recepção do obstetra, esperando ser atendida e entrou um casal, coisa comum. ela com a barriga enorme, e ele parou em frente à televisão para ficar vendo desenho, como se ela estivesse grávida de um irmão pra ele. achei engraçado. mas não posso negar que sempre que vejo um homem dentro daquela sala me dá uma agonia de eu estar com o meu dentro de mim e não ter nenhum ao meu meu lado pra acompanhar tudo. aí que eu me lembrei qual seria o melhor lugar do mundo pra eu ficar quietinha, esperançosa, querendo dias melhores. imediatamente me lembrei de quando eu deitava com ele e me escondia debaixo de algum braço, e ficava ali, fuçando naquele peito com a tatuagem eternamente mal-acabada. eu te amo tanto ainda. acho que sempre vou te amar. se antes era difícil te ter de volta, hoje sei que é impossível. é outro homem e eu sou uma mãe, veja só. mas sem pensar eu digo que minha vida sempre vai ter um pedaço nos cinco anos atrás, em que eu nem imaginava ser solteira um dia ou ter qualquer resquício de felicidade que não fosse ao teu lado.

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