queria e posso falar mesmo dos dias em que quase perco o controle. aqueles dias em que quero esganar e ser esganada e ficar tão dentro e ter tão dentro que tudo o mais que puder aparecer em volta seja simplesmente cenário.
e quero e posso e vou falar do quanto o prazer por si tem me deixado sem rumo por dez minutos para tentar voltar ao caminho por dez dias. ou vinte e cinco.
o segredo é não pensar na doença que rodeia - por mais que seja pertinente - porque o hedonismo não tem justificativa. ele próprio é suficiente.
é suficiente minha pele querendo rasgar a dele. é suficiente meu carinho querer invadir todo aquele coração ocupado. é suficiente que naquele momento nossos olhos pertençam ao outro, ainda que em desvios infantis. é suficiente ouvir o grito, sentir o desespero, encontrar a mão e levar o corpo aos lábios.
urgente é essa gana de viver entrelaçado que significa um pouco mais de ebriedade em rotinas tão mesquinhas. para isso não existem provocações, a presença é suficiente. vontade de nunca mais sair. de nunca mais deixar sair.
todos aqueles sinais espalhados na pele clara que eu ainda não conheço e não tenho pressa em decorar. aquele cabelo que agarro como se fosse corda e aquele abraço que significa uma tentativa de dilacerar o outro. mãos tão erradas percorrendo caminhos certos e línguas e dedos e braços que combinam em anos de desejos guardados.
quero rir e quero chorar e quero beijar e quero agarrar tudo em pouco tempo. vamos, são poucas horas e as mentiras tem ponteiros e os encontros são tão raros, mas eu já nem consigo me importar. assumi a postura e provavelmente eu caia. eu caio. mas eu levanto.
Um comentário:
Não sei para quem foram escritas estas linhas, mas posso dizer: lucky guy.
Lucky indeed.
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