ontem foi ver quanto tempo o brilho do sol durava no reflexo das águas.
sentou-se e não calculou exatamente os minutos, somente deixou a claridade invadir seus pensamentos enquanto observava o movimento dos raios dançando nas poucas ondas.
e assim, imaginava, se talvez, aquelas horas não significassem também o período que marca toda existência de alguns parcos sorrisos. faz muito que não sorria como deveria. sempre de um jeito meio torto, cansado. nunca parou, é verdade. mas com o passar dos anos, sua boca não abria mais espontaneamente para o que quer que fosse. a opinião já era muda e o silêncio não era companhia; era a personificação de tudo que sentia.
ele ficou ali, parado, pensando se o sol talvez não estivesse brincando com seus olhos na mistura de cores que havia se tornado o cenário. queria todas aquelas matizes, todos os tons em sua vida. ao constatar que o espetáculo durava não mais que quarenta minutos, decidiu. p&b era muito bonito. mas em alguns momentos a vivacidade exacerbada deveria participar.
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