depois de um final de semana deliciosamente introspectivo, acompanhada de alguns amigos em poucos momentos e em outros tantos parafraseando wander, com a saudade como companhia (without bitchin'about it), estava tranquila para começar a semana. fui bem disposta para o trabalho. reparti meu almoço com a faxineira. a vida é doce.
nem o fim dos tempos anunciado acabou com o bom humor. nem o banho-de-chuva-rajada-de-vento-princípio-de-furacão-velha-bizarra-ouvindo-minha-conversa-com-@julianafranzina-no-trem-a-caminho-da-faculdade. nem uma prova sobre peirce e a chatice dos índices, ícones e símbolos.
termino a prova cedo, boa aluna que tento ser e penso: são 20h30, vou voltar de trem e chego mais cedo em casa do que esperando a van até 23h15.
NOT.
eu no trem. eu no trem ouvindo sacred steel. eu no trem ouvindo sacred steel lendo nazarian. eu no trem ouvindo sacred steel lendo nazarian sentada de frente pra um cara de mochila-che-guevara-olhos-azuis-bonito-mas-precisa-de-banho.
estação esteio.
estação esteio.
estação esteio.
tiro um fone do ouvido. a voz metalizada tenta dizer algo. portas abrem e não fecham. a voz esboça um "por problemas técnicos o trem ficará parado por alguns instantes".
"por problemas técnicos o trem ficará parado por alguns instantes".
"por problemas técnicos o trem ficará parado por alguns instantes".
"por problemas técnicos o trem ficará parado por alguns instantes".
"por problemas técnicos o trem ficará parado por alguns instantes".
25 minutos disso e o trem volta a andar.
o trem volta a andar e a voz ressurge: "por motivos de alagamento na via, o trem irá somente até a estação farrapos. a trensurb fornecerá um ônibus para encaminhar os passageiros até a estação são pedro"
umas oito vezes.
estação farrapos.
todo tipo de gente fina elegante e sincera no meio da chuva esperando o ônibus. 25 minutos a mais. aparece um T2. leio "praia de belas" e penso que é perto de casa, melhor que a avenida mais famosa de porto alegre, título conquistado pelos frequentadores da verdadeira realeza.
então, subo no T2. motorista xinga os outros: nãããão, nããão vai pro centro.
eu penso: bando de gente juca, nenhum T vai. e subo.
e o ônibus vai para a benjamin. para a assis brasil. tá tudo escuro, não tem luz em porto alegre. passo pelo bourbon, passo pelo plutão, passo pelos meus antigos colégios, passo pela porra do cemitério que eu morava pertinho e penso: calma.
carlos gomes e preciso duma parada perto de um ponto de táxi, que não seja tão longe de casa. onde eu estou?
porto alegre negra.
peste negra.
barão do amazonas, óquei. táxi? nenhum na rua, vou até o praia de belas mesmo.
senta um cara bêbado do meu lado. não dou bola. táxi?
o ônibus entra na bento gonçalves, outra avenida que não faz jus ao nome. medomedomedo.
na esquina com a aparício, aliás, ponto NOBRE da cidade eu vejo táxis. desço muito feliz.
chego em casa, sem luz no prédio. escadas, quem curte.
já era mais de meia noite.
obrigada, eu sou uma trabalhadora brasileira porque juro, o bom humor tá aqui ó.
3 comentários:
Maravilhoso!!! Tu sempre diz que meus textos são bem escritos e tudo mais. Só que eu gostaria de ter 30% desta tua capacidade de escrever com humor e sensibilidade. Adorei o teu texto, é engraçado, dinâmico e quando acaba, a gente fica com vontade de ler mais... Parabéns!
Foi um grande prazer ler este texto.
Parabens
SEM bufar? Duvido!! Hehehe ;)
Postar um comentário