da intensidade. que hoje todo mundo é intenso e vive tudo en-lou-que-ci-da-men-te e a palavra perde todo o sentido. mas também, o que não se perde no meio de um monte de opinião embasada em chocar.
sei que quando ela vem - a intensidade - desnivela qualquer estrutura sólida. e aí tua casa tão firme e tão cheia de paredes ditadoras se transforma em mar de bandeira vermelha. e são dessas ondas que gosto de beber. gosto de me afogar e me perder e sufocar e pedir socorro. mas o socorro nunca chega.
e assim, acenando para o perigo vou adentrando, sendo adentrada, o mar vai me engolindo e eu engulo toda a água e vamos nos engolindo até eu virar líquido. sorvo todo, o mar. ele me absorve. e aí que não existem mais paraísos claros e infernos escuros, somos todas as dimensões e somos reflexo.
me enxergo no perigo e ele se enxerga em mim e querendo enxergar e refletir e parecer e virar mar é que me dou conta que sou lago. a intensidade tem hora pra acabar porque essa é proposta dela: fazer querer, fazer sofrer, fazer ser tudo um só pra depois inundar e construir represa. só que é sempre muito tarde. a onda não leva o que o mar me agitou.
sei que quando ela vem - a intensidade - desnivela qualquer estrutura sólida. e aí tua casa tão firme e tão cheia de paredes ditadoras se transforma em mar de bandeira vermelha. e são dessas ondas que gosto de beber. gosto de me afogar e me perder e sufocar e pedir socorro. mas o socorro nunca chega.
e assim, acenando para o perigo vou adentrando, sendo adentrada, o mar vai me engolindo e eu engulo toda a água e vamos nos engolindo até eu virar líquido. sorvo todo, o mar. ele me absorve. e aí que não existem mais paraísos claros e infernos escuros, somos todas as dimensões e somos reflexo.
me enxergo no perigo e ele se enxerga em mim e querendo enxergar e refletir e parecer e virar mar é que me dou conta que sou lago. a intensidade tem hora pra acabar porque essa é proposta dela: fazer querer, fazer sofrer, fazer ser tudo um só pra depois inundar e construir represa. só que é sempre muito tarde. a onda não leva o que o mar me agitou.
Um comentário:
Existe a idéia corrente de que as grandes mudanças ocorrem aos pouquinhos, devagar, com o primeiro passo de muitos, com a primeira gota que se faz um oceano inteiro. Tá, até pode ser que sim, e o pior é que acredito nisso. E já dizia a filosofia, que se tornou barata, de tão marreteada no feicibuque, tuiter, emiesseene e afins: "mude, mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade", de um texto fabuloso do filósofo Edson Marques e atribuída à Clarice Linspector, Pedro Bial, Arnaldo Jabor e sabe-se lá mais quem. Aliás, tô reclamando de barriga cheia, já vi muito "mude, MAIS comece devagar". Mas tô devagando, digo, divagando, sobre o que nem sei direito. Fato é que a ciência, ahhhh agora sim minha área, tem uma premissa em geologia de que as grandes mudanças na paisagem: canyons, cavernas, mares, montanhas, etc; se formam não aos poucos, mas em ondas. Alguns episódios geológicos, como grandes abalos sísmicos, que numa visão antropocêntrica chamaríamos de catástofres, são os criadores de algumas das paisagens mais belas que conhecemos. Grandes mudanças genéticas também ocorrem assim, nada de "aos pouquinhos", a grande mudança ocorre e é, ou não é, aceita, melhor: adaptada, no meio onde o ser vive. Tá parece um monte de coisas desconexas né?! A chave disso tudo que eu quis dizer é justamente a "intensidade".
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